terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cruéis gotas ferozes

Minhas lágrimas me queimam de raiva
Ao derramá-las por tua causa
Deformam meu rosto
Derretem minh'alma

Viram gotas de ácido
Que corroem minha paz
Até se envergonham por serem minhas
Quando as desperdiço sobre ti

Afogo-me em veneno-pranto
Pranto dolorido e vão
E tu,que nem me lês mais
Segue seco na escuridão.
(C.G.Rodrigues)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Limbo

Meu mal foi ter lhe dedicado carinho e atenção
Enquanto você os dedicaria mais a qualquer um
A qualquer cão vadio na rua mais que a mim

Equivoquei-me ao crer que sua transparência era plena
E ao sonhar que teria amor à altura do que carrego no peito
Só tive dor em troca da fé que dispensei à humanidade

Estive errada ao pensar que amigos e amores seriam sempre leais
Dando incondicionalmente o conforto do meu ombro
Abrindo mão do orgulho com a sinceridade das minhas palavras

Fui demasiado ingênua por acreditar que fui diferente p'ra você
Hoje estou ofuscada na sua longa linha de troféus
Mas sou aquele que,por algum motivo,você não para de olhar e polir

Lamento que eu só vá fazer real falta ou diferença quando for tarde demais
Que você só verá as cobras quando o veneno já estiver inoculado
Quando o sol se apagar e nossa lua azul não mais brilhar.
(C.G.Rodrigues)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fúria aos cínicos

Me vi vermelha em frente ao espelho
Com os punhos prontos p'ra matar
Você,outrem,eu mesma...
Não,eu não...

Não mereço assim fenecer
Pois ainda tenho muito a brilhar
Então não me mate você
Com suas facadas embebidas em descaro

Minhas garras ansiaram pelas goelas insolentes
Estriparam em pensamento as existências desumanas
Mas contive minha ira justiceira
P'ra que vire palavra austera

Hei de descer o verbo sobre seu cinismo
P'ra que prove da dor e sinta vergonha
O asco de si também virá,não se surpreenda
Apenas aprenda como é duro lhe amar.
(C.G.Rodrigues)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Highway to. . .

Vento no rosto
Nada no bolso
Meu carro e eu

Mente vazia,olhos vivos
Pulmão aberto p'ro ar fresco
Adrenalina...e paz

Sim,a paz que a velocidade traz
Tudo à volta acelerando e sumindo
Apenas eu e o vento,sem minhas dores

Sem amores,sem rancores
Eu e a estrada e só
Indo a lugar nenhum,a todo lugar

Respiro as estrelas
Vejo ares novos
Mergulho ou saio do mundo que há dentro de mim.

Que sonho...!
(C.G.Rodrigues)

Inquieta

As gotas da chuva não tocam meu chão
O fenômeno está incompleto
Ainda assim,o cheiro de terra molhada ascende
E me inebria,e me tenta

O sol pôs sua magnitude por detrás das montanhas
Mas não vi o crepúsculo,ora encoberto pela névoa
Vislumbrei a plenitude de alguns raios transpositores
Porém caiu a noite escura,às cegas

Madrugada se foi sem tua voz
Não devia aguardá-la,tampouco querê-la
E,mesmo assim,perco o sono numa esperança vã
Perdendo-me no desejo descontrolado de um caso perdido.
(C.G.Rodrigues)
 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Boemia lúgubre

Entre cigarros e bebidas
Na companhia de mim mesma
E das estrelas que brilham melancólicas
Lamento apática por nós

Não deveria, não poderia
É tão duro negligenciar as máculas
E tão duro dispor-se à mudança
Mas nada mais amargo que a saudade

Quando lágrimas derramo
Solitárias quedas d'água correm
Seguindo pelos córregos da face
Inundando meu desespero vão

Mas a mácula não se desmancha em pranto
Tampouco a saudade se satisfaz em boemia
Sigo,então,lúgubre por tempo indeterminado
No devaneio de minha própria companhia.
(C.G.Rodrigues)
 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

E o drinque ficou amargo

O cintilante espelho d'água
Que outrora nos convidara a amar
Hoje é uma lâmina de chumbo
Jazendo sob nuvens negras no céu

O amor profundo de outras vidas
Que nutria minh'alma e alegrava meu corpo
Agora é fantasma que me assombra em sonhos
E me atormenta com visões e sensações

A doçura dos beijos meus
Virou sede em tua sôfrega boca
E o ritmo dos blues que nos embalavam
Soam como réquiem aos meus ouvidos

Espelho frio,reflexo de vampiro
Amor assombrado,calafrios,náusea
Blues secos,olhos molhados
Eu sofro assim.
(C.G.Rodrigues)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Na mente

Tão triste fiquei
Que adormeci
E pensei o tempo inteiro em ti

Um barulho me acordou
Susto,náusea,mau humor
Realidade: solidão...

O sono se perdeu
Mas o torpor ficou
E da minha cabeça,tua imagem não saiu

Surgiram,também,imagens de dissabor
Questionamentos assustadores
E a agonia meu peito tocou

Agora,então,escrevo o coração partido
E peço aos anjos da guarda
Luz e cura p'ras feridas que em nós estão.
(C.G.Rodrigues)


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Noite mórbida

Cortei minhas unhas
E lembrei que já tive tua pele sob elas

Assisti a poucos segundos de qualquer filme de amor
E pranteei por termo-nos perdido

Senti desejo ardente
E lamentei não ter mais o teu toque

E foi assim que acabara minha noite
Entorpecida,dolorosa,vertiginosa e incompleta.
(C.G.Rodrigues)


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Facada

Indigno de minha confiança
Eu, que amava tanto
Só me resta sofrer

Eram os olhos mais sinceros para mim
Dois lagos cristalinos de pureza e conforto
E, ainda assim, me enganaram

Avisei dos perigos de encontros malfadados
Em resposta, tive protesto e garantia
E como resultado, traição

O orgulho veio abaixo
E tive a força do perdão
Mas só o que recebi foi um adeus depois de um não

Agora sofro e lamento
Dói corpo, dói mente, dói coração
Mas força para sobreviver existe em mim, e não é em vão.
(C.G.Rodrigues)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dia de Yemanjá

Salve, rainha sereira
Salve,senhora do mar
Lava minha dor em tuas ondas
Dá-me tua força ao luar.
(C.G.Rodrigues)