segunda-feira, 25 de junho de 2012

Estofo

Vivo um momento de maré vazante
Esvazio-me de tudo que me sufoca
Observo o mundo em stand-by
E busco um conhecimento acima dos impasses

Vejo-me cercada de relações doentias
E decido não mais fazer parte delas
Abandono tudo e todos que me atrasam
Até boas ideias,p'ra que outrora voltem sem máculas

Hoje só planejo no máximo o dia seguinte
Reservo o futuro p'ra surpresas,e não expectativas
Queimo os neurônios com a matafísica que me cerca
E derramo minhas lágrimas com os segredos do universo.
(C.G.Rodrigues)

domingo, 10 de junho de 2012

Chamas no gelo

Um frio de enregelar os ossos
Me congelando nesta insípida solidão
Que em nada combina com o calor que me corre nas veias
Ou com a pele tenra e rósea que veste minh'alma

Quero o sabor de uma companhia colorida
Um calor que se some ao meu e queime o gelo inerte
E que este par exploda em sons,matizes e gostos
Fazendo do frio um convite à paixão

Mas neste devaneio de luzes,tons e espasmos
Guardo,sozinha,o meu fogo numa gélida concha
Esperando um momento inesperado
De incendiar minha essência junto a outro lume.
(C.G.Rodrigues)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Deshabitat

Uns não vêm por buscarem padrões
Outros somente espreitam intimidados
Tal como diante de uma temível fera
Sem saber que apenas encaram uma essência feminina

Daí a mira tenaz do cérebro jocoso
Acerta em cheio a pobre autoestima
E sinto-me medíocre, quase inadequada
Deslocada num universo que não me pertence

Mas em vista de tanta tortuosidade,paro e penso:
Será que este universo é que não me compreende?
Oras,a beleza que me sai pelos olhos não pode ser ignorada
E a que vai ao redor deles também é real e apreciável

Já não sei se o mundo é cego ou se não há o que ver em mim
Sei apenas que quero ser vista
Desejada, tangida, amada
E pertencer ao universo que me cabe.
(C.G.Rodrigues)