domingo, 20 de maio de 2012

Matéria negra

Penso em você violenta
Punhos sedentos a lhe fustigar
Como máquina que não desliga
Como fogo que não apaga

Alivio-me a cada investida
A cada parte sua que quebro
Pena que é só sonho
E você segue inteiro a me enlouquecer

Um cão que serve a gente mesquinha
Cujos reais propósitos você desconhece
Só surge quando esta fonte fica seca
Propondo falsa paz com tormentas nas mãos

Há de chegar o dia em que cansarei de verdade
E você cairá,quebrará,desintegrará
Seus senhores sombrios também cairão
E o circo que armaram os engolirá.
(C.G.Rodrigues)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Renúncia

Pare o mundo que eu quero descer!
Atiro-me nos trilhos do primeiro trem que passar
P'ra ver se salvo alguma esperança

O mundo,insano,não mais comporta a lucidez
Perco-me na loucura alheia e me desespero
A sombra que nos cobre engorda a cada desatino

E qual não é o paradoxo de minha existência
Ao resgatar sem saber as almas do lodo
Enquanto desperta perco a fé na humanidade

De que vale na vida crer e esperar do homem
Se ele queima os próprios valores e sonhos
No fogo lunático das filosofias da morte?

Um mundo que se embasa em jogos de morte
Apenas se alimenta da vã insanidade
Por isso,peço que pare,assim não quero mais viver.
(C.G.Rodrigues)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Teus olhos meus

De todos os beijos
Insípidos ou cálidos
De todos os abraços
Sutis ou apertados
És o único que olho nos olhos

Olho fundo,olho longo
E olho só a ti
Dos outros me envergonho
Ou apenas me desapego
Mas teus olhos têm a cor

A cor no caos cinza
Ora desvanecida,ora fulgurante
A cor diferente das cores
Que mesmo escondida no mundo ou nas pálpebras
Faz tudo ao redor se ofuscar.
(C.G.Rodrigues)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Lágrimas eternas

Sedemos à nossa velha dança
Tão natural que nem me assustei
Até resisti,mas não questionei
Sequer pensei,apenas senti

Envolvemo-nos pelos pelos
Desprendidos de si,imersos no instinto
Num momento fugaz viramos uma entidade
O eu-você de tantas vidas atrás

O olhar transborda toda uma história
Tudo aquilo que gostaríamos de sentir sem dor
De viver sem medo, puros e divinos
Compensando em lágrimas o que não conseguimos

Será a nossa sina estarmos presos e desgarrados?
Firmarmo-nos num mundo de máscaras
E somente elucidar o âmago ao nosso encontro?
Assim,o lamento dos olhos será eterno pranto.
(C.G.Rodrigues)