segunda-feira, 7 de maio de 2012

Lágrimas eternas

Sedemos à nossa velha dança
Tão natural que nem me assustei
Até resisti,mas não questionei
Sequer pensei,apenas senti

Envolvemo-nos pelos pelos
Desprendidos de si,imersos no instinto
Num momento fugaz viramos uma entidade
O eu-você de tantas vidas atrás

O olhar transborda toda uma história
Tudo aquilo que gostaríamos de sentir sem dor
De viver sem medo, puros e divinos
Compensando em lágrimas o que não conseguimos

Será a nossa sina estarmos presos e desgarrados?
Firmarmo-nos num mundo de máscaras
E somente elucidar o âmago ao nosso encontro?
Assim,o lamento dos olhos será eterno pranto.
(C.G.Rodrigues)


domingo, 29 de abril de 2012

Deploráveis

E surgem as velhas lágrimas
A cada anseio,um nó na garganta
Mais um beijo na testa
Mais um pedaço da força vã que se vai

Abraços conscientes
Frios,medrosos,desajeitados
Mas os beijos,ah,os beijos...
Quentes,consistentes,naturais

As bocas acordam o resto do corpo
Ardente,entumescente,umedecente
Mas fico latente
Porque as chagas também acordam

O tormento transcende o físico
As entranhas se reviram e revolvem sentimentos
É tudo um paradoxo do destino
Dor na falta e dor na presença.
(C.G.Rodrigues)
 

domingo, 22 de abril de 2012

No muro das ilusões

Atrás do muro de ilusões
Vi um povo escondido
Não eram do Sul nem do Norte
Tampouso do Leste ou Oeste
Eram de toda parte,eram o mundo

Vi entre os homens
O amor virando gelo
Se partindo,se quebrando
E as almas se vendendo,se perdendo
A troco de qualquer desvalor

Nos cantos mais insólitos
Junto aos seres mais improváveis
Vi as virtudes da alma esquecidas
Será que vejo além do ego
Ou sou só mais um perdido atrás do muro?
(C.G.Rodrigues)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Moro na Babilônia,mas não sou daqui

Sujeitos comuns se passando por visionários
Pronunciando discursos evasivos e vãos
Enquanto os reais profetas se calam

Vejo as massas criarem paralelos
Atropelando a natureza deste mundo
Perdendo e se perdendo naquilo que é ciclo

Ciclos circunscritos,heterogêneos e fluidos
Voltas da vida,por cima,pela beira
Caminhos irresolutos,destinos permeados

Sigo na minha marcha cíclica ondulante
À margem das loucas linhas paralelas
Direita,esquerda? Ninguém sabe mais que lado

O mundo vem suportando muita insanidade
Até que chegue a hora do curto-circuito
E sigo eu, na Babilônia,sem a ela pertencer.
(C.G.Rodrigues)
 


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Drogada

Depender de um sentimento
É como depender de uma droga
Dá bem-estar,paz,diversão
E,de repente, nos destrói

Vez ou outra,caio no erro da dependência
Dou longas tragadas de amor
Injeto paixões ferozes
E quando a onda passa...

Esqueço-me completamente do bom vício
A única sensação que engrandece
E cai purificante como água
O tal do amor-próprio

Viajo em drogas físicas
E me perco em drogas mentais
É chegada a hora da independência
E cair insana no mesmo erro,nunca mais.
(C.G.Rodrigues)
 

Guerreiro de si perdido

Batalhas vencidas não dão a guerra
A glória de um dia vira a queda do outro
Uma conquista memorável vira frustração

As batalhas agregam aliados
E até acumulam derrotados
Mas a grande guerra é sempre contra si

Vencer os outros nunca é superação
Somente vencer-se faz evoluir
Vitória é pessoal e intransferível

Ganhar na razão não exclui o sentimento
Mas o coração arredio pode destruir a mente
E assim a guerra do eu segue perdida.
(C.G.Rodrigues)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Circo

Rio-me da vergonha alheia
É divertida a temeridade
De quem outrora me judiou
E creu piamente no crime perfeito
E no entanto,hoje,de bobo é feito

Gargalho destes ombros curvados
E deste olhar perdido e desconfortável
Dos mesmos olhos que fitavam mudos
Os meus que respondiam cegos
Mas que hoje me captam todas as luzes

Sigo leve e atenta tal uma borboleta
Vejo as aranhas enredarem-se nas próprias teias
Vítimas do próprio sistema que criaram
Delas,eu rio e,inclusive,as iludo
Carrascos bufões enforcando-se na própria corda.
(C.G.Rodrigues)